Palestina alvo <br> de política criminosa
O governo de Israel divulgou segunda-feira, 3, os concursos públicos para a construção de 1859 novas habitações na Cisjordânia e em Jerusalém Leste, noticiou a Lusa. A iniciativa antecede a visita do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e mereceu o veemente protesto da Organização de Libertação da Palestina (OLP). Segundo a Prensa Latina, terá sido autorizada nos últimos dias a edificação de mais de 3500 casas destinadas a colonos nos territórios ocupados da Palestina.
«A OLP está a analisar o modo de ir perante o Conselho de Segurança e condenar estas novas decisões israelitas, tanto mais que existem resoluções internacionais que declaram os colonatos ilegais», declarou, entretanto, um membro da direcção da organização à AFP.
Nas últimas semanas, na Cisjordânia e em Jerusalém Leste, têm-se intensificado os protestos populares contra as expropriações de terras para a construção de colonatos. Dezenas de pessoas deram entrada nos hospitais com sintomas de asfixia e ferimentos de bala, e pelo menos uma foi morta, em Jenín, em resultado da repressão ordenada pelas autoridades israelitas, que declararam algumas zonas do território encerradas, impuseram restrição de movimentos e iniciaram violentas operações de detenção.
Paralelamente, na Faixa de Gaza, Israel prossegue as manobras provocatórias e a política criminosa. Segunda-feira, destruiu um campo de cultivo, acção considerada uma retaliação pelo derrube de um avião não-tripulado por parte de uma milícia palestiniana, e na sequência dos mais graves confrontos entre militares de Israel e brigadas afectas ao Hamas, os quais custaram a vida a quatro militantes árabes.
No mais sobrepovoado território do mundo e sujeito a um férreo bloqueio desde 2007, a única central eléctrica deixou de funcionar no dia 1 de Novembro devido ao esgotamento das reservas de combustível, informaram as autoridades locais. A Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos reagiu advertindo para as consequências humanitárias da paragem. A ONU estima que os cerca de 1,7 milhões de habitantes de Gaza só têm acesso a cerca de metade da energia eléctrica de que carecem para suprir as necessidades básicas. A interrupção do funcionamento da central eléctrica de Gaza provoca o agravamento da situação.